Notícia

20 de Julho, 2020

"Será Deus, e somente Ele, a recompensar os bons e punir os maus", diz Papa

"É uma história de bom senso". Neste domingo, 20, o Papa Francisco refletiu o Santo Evangelho em sua alocução que precedeu a oração mariana do Angelus.

Neste domingo, 20, o Papa Francisco refletiu o Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus (Mt 13,24-43), aquele onde Jesus fala sobre o Reino dos Céus através da famosa parábola do joio e o trigo. Esta parábola inspirou a alocução do Santo Padre, que precedeu a oração mariana do Angelus.

Neste XVI Domingo do Tempo Comum, antes de realizar a oração do Angelus com os fiéis reunidos na Praça São Pedro, Francisco disse mais sobre o agir cristão. “A paciência de Deus, representada pelo proprietário do campo que tem seu olhar fixo no bom trigo, e que abre nossos corações à esperança é um exemplo do agir cristão. Suportar as perseguições e as hostilidades faz parte da vocação cristã e colaboram bem com Deus ‘aqueles que sabem reconhecer o bem que cresce silenciosamente no campo da Igreja e da história, cultivando-o até a maturação’. E, então, será Deus, e somente Ele, a recompensar os bons e punir os malvados”.

Em maior número que os domingos anteriores, a Praça São Pedro vem recebendo um constante aumento de turistas e peregrinos em Roma, após a abertura das fronteiras entre os países da União Europeia em 01/07.

Esperar o momento da colheita

Na Parábola, Jesus conta que no campo onde foi semeado um bom trigo, surgem ervas daninhas. De acordo com o Papa, entre nós podemos dizer que também hoje o solo é devastado por tantos herbicidas e pesticidas, que também fazem mal quer às ervas, como à terra e à saúde. “Mas isso, entre parênteses", observou.

Francisco continuou relatando que os servidores então foram até o proprietário perguntar de onde veio o joio: “Foi o inimigo que fez isso”, respondeu. Os servidores quiseram imediatamente limpar o campo, mas foram advertidos pelo proprietário de que havia o risco de também o trigo ser arrancado junto com as ervas daninhas. Assim, “é preciso esperar o momento da colheita: somente então serão separadas e o joio será queimado”.

Joio e trigo representam nós, seres humanos: podemos seguir Deus ou o diabo

 O Papa explicou que esta é "uma história de bom senso. Pode-se ler nesta parábola uma visão da história. Ao lado de Deus - o dono do campo - que semeia sempre e somente boa semente, há um adversário, que espalha o joio para impedir o crescimento do trigo”.

“O proprietário age abertamente, à luz do sol, e seu objetivo é uma boa colheita; o outro, o adversário, no entanto, tira proveito da escuridão da noite e trabalha por inveja, por hostilidade, para arruinar tudo. O adversário tem um nome, o adversário ao qual se refere Jesus tem um nome: é o diabo, o opositor por excelência de Deus. Sua intenção é atrapalhar a obra da salvação, fazer com que o Reino de Deus seja obstaculizado por operários iníquos, semeadores de escândalos. De fato, a boa semente e o joio representam não o bem e o mal abstratamente, não, mas nós seres humanos, que podemos seguir a Deus ou ao diabo”, disse o Pontífice.

O Papa observou que tantas vezes ouvimos que uma família vivia em paz, depois começaram as guerras, as invejas. Um bairro vivia em paz, depois começaram coisas ruins. “E nós nos acostumamos a dizer: "É, alguém veio ali semear cizânia", ou "esta pessoa da família, com as fofocas, semeia cizânia". É sempre semear o mal que destrói. E isso é sempre o diabo que faz, ou a nossa tentação,quando caímos na tentação de fofocar para destruir os outros”, explicou.

Suportar perseguições e hostilidades, tendo paciência com os maus

 Para o Santo Padre, a intenção dos servidores é eliminar imediatamente o mal, isto é, as pessoas más, “mas o proprietário é mais sábio, vê mais longe: eles devem saber esperar, porque suportar as perseguições e as hostilidades faz parte da vocação cristã”.

“O mal, certamente, deve ser rejeitado, mas os malvados são pessoas com as quais é preciso ter paciência. Não se trata daquela tolerância hipócrita que oculta ambiguidade, mas da justiça mitigada pela misericórdia. Se Jesus veio buscar os pecadores mais que os justos, curar os enfermos antes ainda que os saudáveis, também a nossa ação, seus discípulos, deve ser dirigida para não eliminar os malvados, mas para salvá-los. E nisso, a paciência”, instruiu Francisco. O Papa ainda disse que suportar as perseguições e as hostilidades faz parte da vocação cristã.

Reconhecer o bem que cresce silenciosamente no campo da Igreja e da história

 “Os servidores querem um campo sem ervas daninhas, o proprietário um bom trigo”, observa o Pontífice. Assim, o Evangelho do dia “apresenta duas maneiras de agir e viver a história: por um lado, o olhar do patrão, que vê longe; por outro, o olhar dos servidores, que veem o problema”.

Francisco disse também que o Senhor nos convida a assumir o seu próprio olhar. “O Senhor nos convida a assumir seu próprio olhar, o que se fixa no bom trigo, que sabe protegê-lo mesmo entre as ervas daninhas. Aqueles que buscam os limites e defeitos de outros não colaboram bem com Deus, mas sim aqueles que sabem reconhecer o bem que cresce silenciosamente no campo da Igreja e da história, cultivando-o até a maturação. E então será Deus, e somente Ele, a recompensar os bons e punir os maus”, disse.

No final da alocução que precedeu a oração mariana, o Papa falou sobre o responsável a recompensar e punir o povo de Deus. “Será Deus, e somente Ele, a recompensar os bons e punir os maus”, disse.

Como de costume, ao finalizar o Santo Padre fez seu pedido à Nossa Senhora. “Que a Virgem Maria nos ajude a entender e imitar a paciência de Deus, que deseja que nenhum de seus filhos se perca, a quem Ele ama com o amor do Pai”.


Fonte: Amex, com Vatican News


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